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NR-17: ergonomia e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET)

Doenças osteomusculares (DORT, LER) são as principais causas de afastamento por longo período. A NR-17 trata da prevenção — ergonomia aplicada ao ambiente de trabalho.

O que a NR-17 aborda

A norma cobre:

  • Posto de trabalho (mobiliário, equipamentos, layout)
  • Levantamento, transporte e descarga de materiais
  • Iluminação adequada
  • Mobiliário de escritório e operacional
  • Equipamentos de tela (monitores)
  • Organização do trabalho (ritmo, pausas, jornada)
  • Treinamento em ergonomia

Posto de trabalho

Princípios:

  • Altura adequada da bancada/mesa para a atividade
  • Cadeira com regulagens (altura, encosto, descanso de braços)
  • Apoio para pés quando necessário
  • Movimento natural dos braços (sem alcances excessivos)
  • Sem torção da coluna repetida
  • Variação postural facilitada

Mobiliário de escritório

  • Mesa com altura adequada (geralmente 70-75 cm)
  • Cadeira giratória com regulagens
  • Apoio para braços ajustável
  • Apoio para pés quando necessário
  • Espaço suficiente para movimentação

Trabalho com telas

  • Distância olho-tela: 50-70 cm
  • Topo da tela na altura ou pouco abaixo dos olhos
  • Iluminação sem reflexo na tela
  • Posicionamento do teclado e mouse
  • Pausas programadas (regra dos 20-20-20)
Trabalho remoto e NR-17

Trabalho remoto NÃO desobriga a empresa de cumprir a NR-17. Posto de trabalho do empregado em casa precisa estar adequado. Empresa pode fornecer equipamento, reembolsar mobiliário, ou orientar tecnicamente.

Carregamento manual

Limites de peso recomendados:

  • Trabalhador adulto: até 23 kg ocasional, 13-15 kg habitual
  • Trabalhador feminino: 20% menor que masculino (regra geral)
  • Posição correta: dobrar joelhos, manter coluna ereta
  • Distância entre carga e corpo minimizada

Cargas acima exigem meios mecânicos (talha, empilhadeira, esteira).

Organização do trabalho

Aspectos relevantes:

  • Ritmo compatível com capacidade humana
  • Pausas suficientes (regulamentadas para algumas atividades)
  • Variação de tarefas para evitar repetição prejudicial
  • Cargas mentais controladas
  • Treinamento em técnicas
  • Comunicação entre trabalhadores e supervisão

AET — Análise Ergonômica do Trabalho

Quando obrigatória:

  • Quando há queixas ergonômicas ou doenças no setor
  • Quando há atividades que exijam (digitação intensiva, montagem em linha)
  • Quando solicitada pela fiscalização
  • Após mudança de processo/equipamento
  • Após reclamação do colaborador via canal formal

A AET é elaborada por ergonomista ou profissional habilitado (engenheiro, médico, fisioterapeuta) e contém:

  1. Análise da demanda (motivo)
  2. Análise da tarefa prescrita (o que se espera)
  3. Análise da atividade real (o que de fato é feito)
  4. Identificação de riscos ergonômicos
  5. Sugestões de melhoria
  6. Cronograma de implementação
  7. Indicadores de acompanhamento

DORT e LER

Doenças relacionadas:

  • LER (Lesões por Esforços Repetitivos) — tendinites, síndrome do túnel do carpo
  • DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) — termo mais amplo
  • Lombalgia ocupacional
  • Cervicalgia ocupacional

Empresas com casos documentados sofrem:

  • Aumento de afastamentos
  • Custos com tratamentos
  • Passivos previdenciários
  • Ações trabalhistas
  • Aumento do FAP (e do SAT)

Implementação prática

  1. Diagnóstico ergonômico inicial (AET preliminar)
  2. Plano de ação com prioridades
  3. Adequações físicas (mobiliário, equipamentos)
  4. Adequações organizacionais (pausas, rotações)
  5. Treinamento dos colaboradores
  6. Acompanhamento com indicadores
  7. Revisão periódica

Conclusão

Ergonomia é investimento, não despesa. Posto bem projetado, organização adequada, pausas razoáveis = produtividade maior, afastamentos menores, custos menores. Empresa que ignora ergonomia paga em LER/DORT e ações.